IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE SANTA RITA DURÃO

Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Santa Rita Durão

O contexto sócio religioso do Arraial do Inficcionado era peculiar: enquanto os habitantes brancos e de boa situação se congregavam na Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, os escravos e negros forros, que não podiam frequentá-la, trataram de edificar o seu próprio templo.

Não há documentação quanto à evolução de suas obras, ficando, portanto, o delineamento de sua história restrita aos estudos estilísticos. Supõe-se que a construção foi iniciada na primeira metade do século XVIII, pela forma de seu exterior. A estrutura interna é interessante pela presença de duas galerias que ladeiam a nave e para ela se abrem através de arcos.

Interior da nave da Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Detalhe do púlpito e parte de altar lateral da Igreja, com a sua talha e policromia surpreendentes

O trabalho de ornamentação do interior da Igreja de Nossa Senhora do Rosário é surpreendente, ainda mais que financiada por homens que compunham a classe pobre do povoado. Em estilo Rococó, o que a situa nos último quartel do século XVIII, é valorizada pela presença intensa de elementos artísticos e decorativos. "Informa Germain Bazin que o altar colateral do lado do Evangelho pode, com certeza, ser atribuído ao Aleijadinho. Já o outro, trata-se de cópia de entalhador anônimo.” (IPHAN).

Medalhão central do teto da nave, de autoria de João Batista de Figueiredo.

A pintura do forro da nave, em tintas-têmpera, abrange toda sua extensão, chegando até à capela-mór. Feita por João Batista de Figueiredo entre 1788 e 1792, tem, excepcionalmente uma cartela pintada sob o arco do coro com a sua datação, como se pode ver:

 

 

A inscrição deixada por João Batista de Figueiredo "Pintei Este Painel Em Louvor de N. Sra. e em obsequio ao Seu Thezoir.o Joze dos Stos. L.za. pello grande zello com q. este mandou pintar esta Capela, inda com dispendio seu no Anno de 1792", além de constituir uma bela homenagem à dedicação do tesoureiro da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário que contribuiu com parte do custeio da construção do templo, é um precioso documento histórico por sua raridade.

A dificuldade da conservação desta Igreja está principalmente na precariedade dos materiais usados na construção original (pau-a-pique e adobe) e no grande grau de umidade da região, cujo alto índice pluviométrico degrada a sua secular estrutura e ocasiona infiltrações no solo.

O fato do templo não ser usado pela comunidade é outro fator agravante, pois não ocorrem revisões que a manutenção constante ocasiona.

Possuidora de um tombamento a nível federal, essa Igreja é alvo dos cuidados da Prefeitura e do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Mariana - COMPAT, que em 2014 destacou recursos do Fundo de Preservação Histórica para reparos em uma de suas torres e agora se prepara para financiar o seu projeto de restauro, em parceria com a Arquidiocese de Mariana.

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