Conselho Municipal do Patrimônio Cultural COMPAT Mariana Minas Gerais
Zelando pela nossa História

A DISPUTA ENTRE DOIS TEMPLOS

 

 

A Praça do Pelourinho, atual Minas Gerais, vista de cima mostra melhor o seu belíssimo conjunto, o seu traçado e a proximidade dos dois templos, o que deu origem a uma grande rivalidade entre as suas Irmandades.

 

 

Na sede do Bispado, crescida em importância e habitantes, as novas construções surgiam em profusão. Na segunda metade do século XVIII as Ordens Terceiras das Ordens religiosas, que reuniam  pessoas de melhor condição da Vila e que se responsabilizavam pela manutenção da fé local, passaram a edificar seus próprios templos e contrataram excelentes profissionais para a sua construção e adorno.

Assim surgiram os templos que, a exemplo da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, ganhavam espaço em grandiosidade de proporções e riqueza na ornamentação interna.

A rivalidade entre as irmandades fomentava a ostentação.

Um bom exemplo disso está nas Igrejas das Ordens Terceiras de São Francisco de Assis e a de Nossa Senhora do Carmo.

Ambas as irmandades haviam sido criadas no mesmo ano,1758 e ocupavam, no início, capelas pertencentes a outras irmandades, o que certamente gerava discórdias que fizeram com que os franciscanos, que partilhavam da Capela de Sant'Ana com os irmãos da ordem da santa, adquirissem o terreno adjacente ao antigo Palácio do Bispo, a Casa do Conde de Assumar, e iniciassem alí outra capela para seu uso, terminada três anos depois (1761).

Por sua vez, a Irmandade do Carmo, que ocupava a Capela de São Gonçalo, por desavença com os congregados que eram os seus donos, comprou terrenos no Largo do Pelourinho, a atual Praça Minas Gerais, e rapidamente lá edificou uma capela consagrada ao Menino Jesus (1759).

As capelas foram se tornando em grandes construções, nas quais trabalharam os melhores profissionais da época e o fato de estarem postadas uma defronte à outra ocasionou uma grande questão: qual templo seria o mais belo?

Na verdade, as duas igrejas, mais a estrutura da Casa de Câmara e Cadeia também em edificação, resultariam no mais precioso conjunto do Barroco mineiro, quiçá do brasileiro, pela maestria de sua execução.

O Conjunto formado pelas Igrejas das Ordens Terceiras de São Francisco de Assis,
do Carmo e a Casa de Câmara e Cadeia: três faces do Barroco de Segunda Fase em Mariana.

Os irmãos da Ordem contrataram o mestre português Domingos Moreira de Oliveira para as alvenarias de pedra e ornamentos de fachada da Igreja do Carmo, assim como o mestre-pedreiro José Antônio Soares de Brito, que foram sucedidos após a sua morte por Custódio de Freitas Guimarães, pelo Mestre José Bernardo de Oliveira e pelo tenente Francisco Machado da Luz, que em 1801 terminou a obra. 

"Instituída em Mariana desde 1751, a Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo reunia-se primitivamente na Capela de São Gonçalo, enquanto aguardava a necessária licença para construir o seu próprio templo. Em 1759, iniciou-se a construção de uma capela provisória, bastante simples, em taipa e com apenas uma torre central na fachada, sob a invocação do menino Deus, cujas obras já se encontravam praticamente concluídas no ano seguinte. A construção do templo definitivo teve início em 1784, embora a licença régia tenha sido concedida a 7 de janeiro de 1789, sendo as obras ajustadas com o mestre pedreiro Domingos Moreira de Oliveira, construtor de São Francisco de Assis de Ouro Preto. Consta no Livro de Receita e Despesa da Ordem do Carmo, um pagamento, em 1782, a Manoel da Costa Athaíde por serviço realizado, sem especificação do mesmo. Observa-se, entretanto, que naquele ano as obras da capela definitiva não tinham sido ainda iniciadas. Em 1793 já se fazia a cobertura da capela-mor e trabalhava-se no frontispício, tendo sido contratados José Meireles Pinto para execução da talha da porta principal, e Sebastião Gonçalves Soares para a execução de dois anjos que enquadram a cartela sobre a portada, formando um conjunto escultural em pedra-sabão. O risco do retábulo-mor, de autoria do Reverendo Félix Antônio Lisboa, meio-irmão do Aleijadinho, data de 1797, sabendo-se que a talha foi executada entre esta data e 1819, sendo o douramento realizado por Francisco Xavier Carneiro, discípulo de Manuel da Costa Athaíde, em 1826. É também de sua autoria a pintura do teto da igreja como, ainda, o douramento dos altares laterais, ajustados em 1826. A cobertura do corpo da igreja só se realizou em 1800 e no ano seguinte foram dadas como concluídas as obras, incluindo frontispício, torres redondas e presbitério, arrematadas pelo capitão Francisco Machado da Luz.

O marco final das obras de construção se dá, entretanto, com a instalação dos relógios das torres, em 1835. Germain Bazin considera a Igreja do Carmo um dos últimos belos exemplares do rococó em Minas. Para ele, a fachada constitui uma interpretação simplificada da de São Francisco de Assis de Ouro Preto, da qual se teria conciliado, em superfície plana, o tema curvo.

A edificação é composta por planta retangular, com os apêndices laterais da sacristia e consistório. O corpo principal compreende a nave única e a capela-mor, separadas pelo arco-cruzeiro. As torres redondas, em alvenaria, com sineiras e cimalha também de pedra, se retraem por trás de uma fachada reta, apresentando na parte central do coroamento grande cornija encurvada em arco. O frontispício, em alvenaria de pedra, aparece solto, enquadrado pelos fortes cunhais de arenito bem como a cimalha, em cujo tímpano curvo possui um grande óculo envidraçado de forma sinuosa.

O portal, em pedra-sabão azulada, contém a porta almofadada e é moldurado com cimalha, sobre a qual se assenta o medalhão com os emblemas da Ordem: a montanha, encimada pela Cruz, timbrado por três estrelas. Esse medalhão é encimado pela coroa com dois anjos, seguindo a mesma composição da Igreja do Carmo de Ouro Preto, porém sem a expansão lírica da escultura do Aleijadinho.

A fachada mostra ainda duas janelas rasgadas, com moldura e cimalha recortada em pedra-sabão, guarnecidas por guarda-corpos em losangos recortados. O frontão é recortado e movimentado, com óculo menor e encimado pela cruz. Conforme assinalou Carlos Del Negro, houve a intenção nesta igreja de se obter maior efeito expressivo com o emprego alternado de tons azuis e verdes da cantaria de pedra-sabão.

Internamente, logo à entrada existe um grande tapavento, com porta almofadada em duas folhas, sustentada por duas colunas jônicas com pedestal, verga curva encimada por tarja esculpida. As almofadas do tapavento, por ocasião de recente pesquisa revelaram, sob grossa camada de pintura lisa, uma decoração com figuras profanas. O coro, fechado por balaustrada, tem como acesso uma escada no interior da torre do lado direito.

A nave apresenta piso de tábuas e possui grade de separação em balaústres torneados. O teto ostenta pintura ornamental em painel, com moldura policromada rococó, em concheados, guirlandas de flores, tendo ao centro a representação de Nossa Senhora do Carmo, cercada por anjos e nuvens, entregando o escapulário a São Simão Stock. A autoria desse painel é desconhecida.

Próximos ao arco-cruzeiro em pedra-sabão encontram-se os dois altares laterais, em talha rococó, providos de consolo no centro e colunas nas extremidades.

A capela-mor possui forro em abóbada de aresta, decorada na chave com grande rosácea esculpida. É assoalhada até o presbitério, que é de pedra com escada.

O altar-mor apresenta talha elegante, com o grande arco semicircular central apoiado em colunas e pilastras entalhadas, sendo a decoração em branco e ouro. Possui trono escalonado, onde se encontra a imagem de Nossa Senhora do Carmo.

Carlos Del Negro vê, na altar-mor e na própria capela-mor do Carmo, uma influência direta de São Francisco da mesma cidade, ressaltando entretanto a superioridade desta última".

 

Texto extraído de: SOUZA, Wladimir Alves de. Guia dos Bens Tombados: Minas Gerais. Rio de Janeiro, Expressão e Cultura, 1984. Fundação João Pinheiro. Dossiê de Restauração Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento. Ouro Preto. Mariana. 1973/1975.

Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo
Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo
Pórtico da Igreja da Ordem Terceira do Carmo de Mariana, magnífica peça esculpida em pedra-sabão: José Meireles Pinto fez a talha decorativa e Sebastião Gonçalves Soares os dois anjos.
Capela-mór da Igreja da Ordem Terceira do Carmo de Mariana, recuperada após o incêndio de 1999.
A bela e secular imagem de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade de Mariana.
 
A bela e secular imagem de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade de Mariana.
 
O arco-cruzeiro e outras partes da cantaria que se salvaram do sinistro. O teto da nave em branco marca o local onde ficava a pintura de Francisco Xavier Carneiro, numa rara foto de Márcio Eustáquio Souza.

Em janeiro de 1999 um grande incêndio causado por negligência consumiu grande parte de seu interior, na fase final de uma restauração. Restaram apenas a sua belíssima capela-mór, elementos da cantaria e algumas imagens. Uma grande mobilização de empresas, liderada pelo então Arcebispo Dom Luciano Mendes de Almeida, conseguiu recuperar e repôr as partes perdidas. O teto da nave, entretanto, obra atribuída a Francisco Xavier Carneiro, foi-se para sempre, assim como os dois altares laterais, balaustrada do coro, púlpitos, paravento e imagens importantes.

Em janeiro de 1999 um grande incêndio causado por negligência consumiu grande parte de seu interiorna fase final de uma restauração. Restaram apenas a sua belíssima capela-mór, elementos da cantaria e algumas imagens. Uma grande mobilização de empresas, liderada pelo então Arcebispo Dom Luciano Mendes de Almeida, conseguiu recuperar e repôr as partes perdidas. O teto da nave, entretanto, obra atribuída a Francisco Xavier Carneiro, foi-se para sempre, assim como os dois altares laterais, balaustrada do coro, púlpitos, paravento e imagens importantes.

O incêndio do templo e de suas terríveis consequências, nas três primeiras fotos.
A última delas mostra o processo de restauro em andamento.
 

 

As Obras de Restauração da Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo

 

"A descrição da arquitetura da Igreja de Nossa Senhora do Carmo tem a dimensão do movimento próprio do barroco e a plenitude desta relação se amplia na relação entre os bens artísticos agregados à edificação com a ambiência à qual esta edificação pertence, enquanto parte da cidade de Mariana. Tudo isto se completaria com a restauração do edifício, paredes, cobertura, elementos artísticos, incorporando a dimensão estética de seus altares entalhados, que se encontrava quase concluída, quando, em janeiro de 1999, esta igreja foi destruída por um incêndio.

A restauração de todo este esplendor, havia sido iniciada em 1988 e faltavam poucos dias para a inauguração. Fui o autor do projeto para esta restauração e no dia do incêndio estava de passagem por Mariana, quando vi uma movimentação estranha em torno dela ao enxergá-la do alto da entrada da cidade. Segundo dizem, o que aconteceu ali naquela tarde do dia 20 de janeiro foi o resultado de uma centelha de fogo que surgiu quando, irresponsavelmente, um operário lançou um jato de querosene sobre uma lâmpada enquanto fazia a imunização final das tesouras de madeira entre o forro e o telhado.

Quando o telhado veio abaixo, as pesadas peças de madeira da parte principal, corroídas pelo fogo desabaram, arrastando para o chão os altares laterais que estavam presos aos cantos frontais da nave, ladeando o arco- cruzeiro. As peças de madeira derrubaram também parte do púlpito de pedra cujo guarda-corpo de madeira entalhada desapareceu em meio `as chamas. Toda a estrutura do coro, incluindo o forro deste, bem como o piso, os guarda-corpos e o paravento também desapareceram. As madeiras em brasa, queimaram o piso de tabuado que havia sido recém-colocado e destruíram as balaustradas que dividiam a área central da nave, cujo piso alteado é arrematado por lajes de pedra. O fogo não chegou a atingir diretamente a Capela-mór pois o seu telhado, mais baixo que o da nave, ficou protegido. O calor das chamas, no entanto, provocou o deslocamento da superfície da pintura do altar-mór, tornando-as vulneráveis e pondo em risco a segurança da estrutura em barrete de clérigo da capela-mór, que havia ficado quase oito anos escorada e havia sido recentemente consolidada.

As imagens que estavam nos altares, o mobiliário da nave, e mesmo as paredes de pedra, cujos acabamentos literalmente explodiram, sofreram perdas irreversíveis. Sobre o piso da nave, de um monte de carvão em brasa continuou a sair fumaça por vários dias. Os bens móveis que puderam ser resgatados foram levados para a rua e guardados nas casas próximas por pessoas corajosas que socorreram a parte posterior do imóvel, onde o fogo não chegou. Uma multidão consternada, naquela tarde, vagava em torno da igreja incendiada.

A Igreja do Carmo vem sendo novamente restaurada estando, já refeita, a cobertura da nave. Sob a estrutura metálica que agora substitui os caibros armados de madeira do sistema construtivo original, encontra-se acoplado o forro de madeira arqueado que acompanha a curvatura do vão situado entre duas largas paredes de pedra que suportam esta cobertura.

O piso foi todo recuperado e os altares laterais estão sendo refeitos, de acordo com uma proposta discutida por uma comissão encarregada de orientar os novos projetos de restauração. Estes altares estão, no momento, sendo refeitos, embora não se conheça ainda a decisão sobre os elementos artísticos a serem incorporados aos mesmos. A obra vem contando com uma grande equipe de profissionais que concluíram a primeira fase da restauração em janeiro deste ano, estando em uma segunda fase, no momento. Artífices e artistas de Mariana colaboram na execução das novas imagens e nos detalhes em pedra que serão reaplicados aos bens integrados.

Para a pintura do forro, ainda não se chegou a uma definição. Pensou-se na reprodução da pintura que existia no teto da nave ou na contratação de artistas com novas propostas.

O altar-mór, que permaneceu intacto, está sendo restaurado com muita atenção e cuidado. Tendo permanecido em sua essência, sem ter sofrido perdas pelo fogo, está sendo renovado por um difícil trabalho de restauração. O fato de ter sido apenas tocado pelo calor, que agiu como se fizesse uma prospecção nas camadas de pintura existentes, permitiu aos restauradores atuais conhecer a sua camada mais profunda e dela tirar partido para reavivar as cores originais e descobrir marmorizados escondidos por repinturas. Dessa investigação resultará o trabalho mais realista de toda a obra. Os douramentos das talhas do altar, do forro e da peanha do teto, onde se apoiará o candelabro principal, está sendo cuidadosamente refeito para garantir a beleza e o reflexo ideal sem o ofuscamento do novo. O camarim do altar-mór, sua estrutura de apoio, a cúpula em barrete de clérigo e seus elementos artísticos, permanecerão como exemplos da riqueza da construção original".

Extraído de texto de Altino Barbosa Caldeira, arquiteto do IPHAN, professor da PUC-Minas e doutor pela Universidade de Sheffield, Inglaterra

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis
O Pórtico da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis de Mariana, peça imponente e minuciosa entalhada em pedra-sabão.

Mais feliz do que o templo vizinho, a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis soube atravessar os séculos.

Tendo sido as suas obras iniciadas antes da construção da vizinha Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, o desenvolvimento e finalização de seus elementos artísticos estendeu-se até o início do século XIX. 

Em sua execução trabalharam vários dos melhores artistas do Brasil naquela época: Manoel da Costa Athayde, que mais tarde foi considerado o maior pintor do Barroco nacional, autor da pintura do interior da camarinha, dos dois notáveis painéis da sacristia (1795) e da policromia do "pano da porta"; Francisco Xavier Carneiro fez a pintura decorativa dos altares e provavelmente o teto da nave; Francisco Vieira Servas, o grande mestre português radicado em Mariana, esculpiu e entalhou partes dos altares.

 

"Coube à Ordem Terceira de São Francisco a iniciativa da construção de sua própria igreja, através de licença concedida por D. Frei Manuel da Cruz, em 1761. A capela foi iniciada em 1762 e obedeceria ao risco de autoria do Padre Ferreira da Rocha, executado naquele ano. Entretanto, esse não foi o risco realmente adotado, tendo sido substituído ainda no mesmo ano, pelo do arquiteto José Pereira dos Santos. As obras de alvenaria ficaram sob a responsabilidade de José Pereira Arouca. Em fins de 1763 foi colocada a pedra fundamental.

Em 1777 estavam concluídas a capela-mor, a sacristia e a casa do noviciado, quando se deu a benção da nova capela e realizou-se a primeira missa no dia 6 de dezembro. Em 1783 deliberou-se fazer novo frontispício e torres, bem como modificação no arco do coro. Em 1790 as torres já deviam estar concluídas, uma vez que naquele ano o Bispo de Mariana sagrou o sino grande, dando-lhe o nome de "Francisco da Conceição".

As obras se arrastaram ainda por alguns anos, visto que em 1793, o Irmão Miguel Teixeira Guimarães faz a entrega da capela-mor, sacristia, noviciado, corredores e, em 1794, foi feito pagamento a José Pereira Arouca da parte mais importante da construção.

Depois dessa data, ocorreram trabalhos de pintura. Sabe-se que além do conhecido empreiteiro José Pereira Arouca, trabalharam na capela de São Francisco alguns notáveis artistas, como Manuel da Costa Athaíde e Francisco Vieira Servas. Entre os trabalhos realizados por Athaíde entre 1794/1795, consta o douramento do retábulo do altar-mor e do altar de Santa Izabel, bem como encarnação da imagem. Conforme indica a documentação, os demais altares foram concluídos entre fins do século XVIII e princí[pios do XIX, quando se entregam os trabalhos de douramento, cabendo a autoria do douramento dos altares de São Roque e São Luiz Rei de França a Francisco Xavier Carneiro.

Em 1793 foram concluídos os púlpitos, ajustados com José Pereira Arouca. Entre 1794 e 1802 foram feitos acréscimos no camarim, no feitio da peanha dos nichos e tronos, constando na documentação pagamento a Francisco Vieira Servas em 1801/1802 pela fatura do trono.

Quanto à pintura, sabe-se que Francisco Xavier Carneiro recebeu entre 1802/1807 por trabalhos de pintura realizados, alguns não especificados.

Com base neste dado e na análise de estilo, vários especialistas atribuem a pintura do forro da nave ao artista.

Já os painéis do forro da sacristia são atribuídos a Manuel da Costa Athaíde por vários pesquisadores de renome. Sabe-se que o pintor, conforme já referido, executou diversos trabalhos na igreja entre os anos de 1794 e 1795.

Localizada na mesma praça onde se ergue a Igreja do Carmo, a construção é toda de pedra, com duas torres também de pedra ladeando o frontão pouco curvilíneo, encimado por cruz patriarcal. Possui grande portada esculpida, com guarnições de pedra, encimada por verga curva que termina numa grande cartela ladeada de anjos, contendo inscrição dedicada a São Francisco de Assis, com data de 1763. Acima dessa cartela há uma pequena cimalha que serve de apoio para outra cartela, menor, brasonada, encimada por um anjo e, finalmente o crucifixo. Acima deste, o óculo grande, de forma diferenciada e envidraçado, interrompendo a cimalha.

Ladeando a porta de entrada, à altura da cartela, quatro janelas envidraçadas com guarda-corpo em balaústre. Os cunhais são em cantaria, assim como a base do corpo da igreja.

Internamente, a igreja é bem proporcionada, sendo o altar-mor sem dossel, mais despojado de ornatos, em estilo simplificado.. O retábulo é constituído por duas colunas centrais, com o fuste em caneluras e parte inferior torsas. Exteriormente a estas encontram-se dois consolos ornamentados. Limitando o retábulo, duas pilastras de cada lado onde se apoiam os arcos do teto da capela-mor. O trono é alto, abrigando na parte superior a imagem de Cristo Crucificado e nos degraus, São Francisco de Assis.

Os altares laterais apresentam dossel do tipo estilizado, alguns simples, outros mais ornamentados, trazendo consolos em volutas, no lugar das colunas.

Os púlpitos possuem talha delicada e contêm, inferiormente, suportes em forma de pirâmide invertida com profusa ornamentação.

O teto da nave é pintado, sendo limitado, inferiormente, por uma moldura arqueada tanto sobre o arco-cruzeiro como sobre o coro.

Uma artística balaustrada que serve de guarda-corpo do coro, se apoia sobre três arcos. Estes são limitados lateralmente pelas paredes e, no centro, por duas colunas".

Fonte: portal.iphan.gov.br

Interior da Nave da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis de Mariana.
Interior e teto da camarinha, pintados por Manoel da Costa Athayde. O trono foi entalhado por Francisco Vieira Servas entre 1801 e 1802.
 
Retábulo lateral, com policromia de Francisco Xavier Carneiro.
Forro da nave, atribuído por alguns a Francisco Xavier Carneiro.
Os dois magníficos painéis de sacristia da Igreja de São Francisco de Mariana, de autoria de Manoel da Costa Athayde, terminados em 1795.
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