Conselho Municipal do Patrimônio Cultural COMPAT Mariana Minas Gerais
Zelando pela nossa  História

A ORIGEM DE UM POVO

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"Nasceste assim, cidade amada,

num dia dezesseis do inverno

  de seiscentos e noventa e seis".

 

                                        Olga Tukoff 

 

Olga Tukoff foi Presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural COMPAT Mariana Minas Gerais no período de 2013/15, dele participando desde a sua fundação em 2003 de forma ininterrupta. É artista plástica e escritora.

   

Em 16 de julho de 1696 bandeirantes paulistas liderados por Salvador Fernandes Furtado de Mendonça e Miguel Garcia montaram o seu acampamento próximo a um rio que, pela tradição portuguesa de se associar a descoberta de um acidente geográfico ao santo do dia, no caso Nossa Senhora do Carmo, foi de imediato chamado Ribeirão do Carmo.

Vindos da cidade de Taubaté, desde 1791 vagavam pelos inóspitos sertões povoados apenas por índios e animais selvagens em busca do ribeirão do Tripuí, onde se descobrira ouro com fartura anos antes.

 

O caminho que partia de Itaverava levou-os às altas margens do rio nas quais a bandeira se estabeleceu. 

Logo alguém descobriu ali aluviões auríferos, com a mesma formação de granito cor de aço encontrado no Tripuí.

No dia seguinte oficiou a primeira missa o Capelão da comitiva, padre Francisco Lopes Gonçalves. Estava então selada a descoberta do local.

Começava a ocupação.

Tomando posse do Ribeirão do Carmo e nêle iniciando a mineração, mandou Salvador Furtado levantar as primeiras cabanas ao longo da praia, bem assim como a capela, dedicada inicialmente ao Menino Jesus e cuja invocação depois foi mudada sucessivamente para Nossa Senhora do Bom Sucesso , depois Nossa Senhora da Assunção e posteriormente Santo Antônio.

O padre Francisco Lopes Gonçalves regressou depois disso a São Paulo, donde retornou em 1699 com o guarda-mor Garcia Rodrigues para a medição e distribuição dos descobertos, o que foi feito, começando-se pelo de Miguel Garcia, no ribeirão que antes já havia encontrado e no qual fundou o arraial da Vargem. Seguindo o Ribeirão do Carmo, foi feita a medição em nome de Manoel Garcia de Almeida. 

Outros povoados vieram depois e novos arraiais foram surgindo, tais como o de Camargos, fundado por Tomaz Lopes de Camargo e seus irmãos, que haviam abandonado as suas lavras em Vila Rica (1698); Cachoeira do Brumado, estabelecido por João Pedroso; São Sebastião, por Sebastião Fagundes Varela; Furquim, que recebeu o nome do seu próprio fundador. Alastrou-se em pouco tempo por toda a área do Ribeirão do Carmo a faina intensa da mineração, o mesmo acontecendo logo em seguida em Vila Rica, atual Ouro Preto, fundada por Antônio Dias e outros bandeirantes.

 

Capela de Nossa Senhora do Carmo, atual de Santo Antônio, a segunda erigida no Arraial do Carmo do Matacavalos (1698).

No arraial do Mata-Cavalos a ambição pela riqueza continuava e sendo grande a desordem e muitos os crimes, construiu-se uma nova capela em louvor a Nossa Senhora do Carmo em substituição à anterior de 1696, "feita de talos de palmito" e portanto extremamente precária, numa tentativa de moralização do acampamento.

Foi alí, então, instituída a primeira paróquia, sendo o seu primeiro vigário o padre Manuel Brás Cordeiro no ano de 1698.

 

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